segunda-feira, 19 de novembro de 2012

LITERAMUNDO recomenda...


Ao final do ano passado, com o intuito de estimular os alunos a lerem nas férias, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, ofertou aos alunos o livro A Invenção de Hugo Cabret, do autor e ilustrador Brian Selznick, num momento oportuno, pois a adaptação cinematográfica do livro teria sua estreia em dezembro.
Uma ótima oportunidade para compararmos e analisarmos duas linguagens: a literatura e o cinema. Na verdade, uma boa motivação para desenvolver a prática da leitura com os alunos, e ressaltar o cinema como Arte e não mero divertimento.



O livro é puro deleite visual, composto de ilustrações que narram a estória e, não apenas a ilustram, é recomendadíssimo para quem gosta de quadrinhos e aprecia um bom trabalho de ilustração em preto e branco. Não por acaso, pois faz alusão à própria sala de exibição.
O filme é encantador a todos os tipos de público, com uma belíssima direção de arte e direção de Martin Scorcese, conseguiu o recorde em indicações ao Oscar 2012, concorrendo em 11 categorias, e levando 5 prêmios.
 

Sinopse do livro:

Hugo Cabret é um menino órfão que vive escondido na central de trem de Paris dos anos 1930. Esgueirando-se por passagens secretas, Hugo cuida dos gigantescos relógios do lugar - escuta seus compassos, observa os enormes ponteiros e responsabiliza-se pelo funcionamento das máquinas. A sobrevivência de Hugo depende do anonimato - ele tenta se manter invisível porque guarda um incrível segredo, que é posto em risco quando o severo dono da loja de brinquedos da estação e sua afilhada cruzam o caminho do garoto. Um desenho enigmático, um caderno valioso, uma chave roubada e um homem mecânico estão no centro desta história, que, narrada por texto e imagens, mistura elementos dos quadrinhos e do cinema.

Conhecendo o autor:

Brian Selznick é um escritor que traz em seu currículo vários prêmios. Ele é também ilustrador de obras infantis. O autor nasceu no dia 14 de julho de 1966 na cidade de East Brunswick, em Nova Jersey. Graduou-se na Rhode Island School of Design e atuou durante três anos na Livros Bisonhos em Manhattan, ao mesmo tempo em que escrevia A Caixa de Houdini, sua estreia literária.

Em 2008 Brian conquistou a Medalha Caldecott por esta publicação e igualmente a Caldecott Honor pelo livro Os dinossauros do Waterhouse Hawkins. O escritor é primo dos produtores cinematográficos David O. Selznick e Myron Selznick. A invenção de Hugo Cabret foi adaptada para as telas dos cinemas e dirigida pelo cineasta Martin Scorsese.

Site oficial de Brian Selznick [em inglês].


A inspiração de pequenos grandes leitores

Navegando pela web, encontrei este simpático blog de fazer inveja a muitos adultos!
De autoria de Rieri Frugieri, rico em resenhas feitas pelo jovem autor sobre os muitos livros que ele tem lido nos últimos dois anos, numa linguagem pessoal, mas rica em detalhes técnicos e citações. Por certo um trabalho de intensa pesquisa.

Em sua resenha do livro A Invenção de Hugo Cabret, ele também faz uma comparação ao filme. Vale a pena dar uma olhada!

Acesse o site: 

© Marcia Rosenberger, 2012. Todos os direitos reservados.

Fontes texto/imagem:
A Invenção de Hugo Cabret/texto e ilustrações Brian Selznick: tradução Marcos Bagno, - SãoPaulo: Edições SM. 2007.
Arquivo pessoal 

domingo, 18 de novembro de 2012

Estamos chegando ao fim de mais uma etapa e conclusão do Curso Leitura e Escrita em Contexto Digital, que contribuiu muito em nossa prática pedagógica.

Restaram muito poucos integrantes ao final do curso, portanto tomei a liberdade de registrar aqui, além da minha própria reflexão sobre o curso, alguns trechos de relatos desses tenazes colegas.

Durante dois meses contamos detalhes particulares de nossas vidas, partilhamos nossa memória, trocamos opiniões com pessoas simpáticas, solidárias, carinhosas e persistentes, que agora podemos chamá-las de amigas (os).

Agradeço muito a companhia de todos vocês e de nossa amável tutora Mara Lúcia David.

Relato reflexivo por Marcia Rosenberger


Tenho participado de outros cursos à distância, entre eles o Curso de Espanhol promovido pelo Instituto Cervantes em parceria com a Secretaria de Educação. Embora similares cada curso apresenta suas particularidades em relação ao acesso à plataforma, a dinâmica do próprio curso e principalmente, dos participantes. Quanto a este último, fiquei muito satisfeita com a interação nos fóruns, pela coesão do grupo, pela simpatia de todos, tendo sido muito enriquecedor.

Em relação ao tema do curso, foi bastante relevante à minha prática pedagógica, pois conheci aspectos com os quais pude aprofundar meus conhecimentos sobre letramento e repensar o modo de interagir com os alunos em seu processo de aprendizagem de leitura e escrita. Muitas sugestões foram compartilhadas pelos integrantes do curso, somando às nossas experiências de sala de aula.

A oportunidade de produzir textos ao longo do curso foi muito estimulante, pois é um exercício que muitas vezes deixamos de fazer. Ler os textos produzidos pelos outros integrantes, além de prazeroso, nos norteou para o nosso próprio trabalho de produção. Ler, comparar, analisar, criticar, comentar, associar foram ações constantemente praticadas que propiciaram o estudo e o exercício da teoria de uma forma mais dinâmica.

Quanto à composição do blog, particularmente gosto bastante das novas tecnologias. Já conhecia as etapas necessárias, pois já havia publicado uns dois sites pessoais, que em virtude de tempo, não estava atualizando muito ultimamente. Mas como em tecnologia há sempre muito que aprender, posso dizer que aperfeiçoei meus conhecimentos na execução deste último.

Também já tive a experiência de trabalhar com os alunos criando blogs. Em uma das vezes o tema em questão foi o Patrimônio Histórico e Cultural de São Bernardo do Campo-SP. Os alunos fizeram uma pesquisa de campo visitando todos os lugares turísticos da cidade (não muitos, devo ressaltar...) e aqueles que foram tombados pelo patrimônio municipal, criando um guia turístico e publicando num blog, que cada grupo desenvolveu. Foi uma experiência muito dinâmica e gratificante.

O único aspecto que achei que deixou muito a desejar foi a construção de textos coletivos, talvez pelo fato de a maioria das postagens serem feitas na véspera do fim do módulo, não tendo tempo hábil para um debate verdadeiro e produtivo. Ainda que muitos dos integrantes solicitassem avidamente a participação dos demais cursistas.

Enfim, este curso me inspirou muito... tanto que fiquei com remorso de ter quase abandonado meu blog pessoal, e me motivou a criar um novo.

Refletindo sobre a continuidade ou não do blog, seria muito bom se o mantivéssemos depois do fim do curso, o único problema é o tempo que não disponho para mantê-lo, pois não basta deixar on-line, há que se atualizar constantemente. Portanto, me comprometo a atualizá-lo até o final do ano, depois disso, preciso avaliar minhas prioridades.


Relato reflexivo de Josiana Rovatti Pupin

O curso Práticas de Leitura e Escrita na Contemporaneidade possibilitou o aprendizado sobre novas formas de trabalhar com os alunos utilizando a prática da leitura e também da escrita na sala de aula em qualquer disciplina. Como minha área é “exatas”, procurei formular e trabalhar questões, tanto de física quanto de matemática, com interpretação e elaboração de respostas que fossem ao máximo analisadas, discutidas e interpretadas pelos alunos. Esta foi a primeira vez que participei de um curso a distância, o qual não deixou nada a desejar de um presencial. Tive contato também com um blog, para o qual produzimos diversos textos de diversos assuntos e gêneros. Conheci muitas pessoas, diversas opiniões e pensamentos e um aprendizado novo com relação a importância do saber ler e interpretar. Obrigada a todos. Um grande abraço!!

Relato reflexivo por Colegas de Grupo

Leia os depoimentos ouvindo esta música:


The Beatles - Hello Goodbye!


"Em relação ao conteúdo do curso gostei muito. Apesar de já conhecer a maioria dos textos e dos assuntos discutidos, foi muito gratificante e enriquecedor poder revê-los. [...] Ressalto, porém, que irei procurar estudar mais sobre o assunto (Contexto Digital), pois creio que dominar as novas tecnologias, assim como a linguagem nelas empregada, será fundamental para o sucesso e o aprimoramento de minhas aulas."
Cássia Oliveira Santos


 "É com uma dualidade de sentimentos que chego ao final deste curso. O primeiro já é saudade, pois sempre sentimos falta de algo que nos fez bem, e este curso me fez muito bem, me fez aprender, “crescer”, praticar, exercitar, buscar. Cada texto lido, os videos, as dicas, o trabalho em grupo, as reflexões, as questões, os fóruns, as discussões... tudo isso com certeza contribui para meu crescimento profissional e pessoal."
Jacqueline Cintra Gonçalves Bosco


"Tive a grande oportunidade de ler relatos de professores que dão aula há muito tempo e com isso percebi que há muita gente que faz a diferença e que acredita na educação e nos alunos, fiquei ainda mais orgulhosa de ser professora e fazer meu papel na sociedade. [...] Encontrei a junção de professores que gostam do que fazem, que participam e que te elogiam mesmo sem te conhecer. Encontrei humanos de verdade. Trabalhei com pessoas do bem."
Juliana Mingorancia Ferreira


"Gostei muito dos trabalhos em grupo, acho que isso contribui muito para o nosso crescimento, pois cada colega de grupo carrega consigo uma bagagem de conhecimento. Resgatar as nossas experiências com a leitura e a escrita, foi muito interessante, pois recordei a minha infância e notei que muitos colegas passaram por experiências parecidas com as minhas."
Kátia Eliane Carvalho Gonçalves


"Trabalhar em grupo é prazeroso já que trocamos ponto de vistas diferentes, práticas pedagógicas interessantes e experiências de vida. Minha experiência com o meu grupo e com os cursistas que perseveraram e continuaram até o final, com determinação e esmero, posso dizer que foi enriquecedora e admirivável. Pudemos partilhar e relembrar de coisas íntimas e significativas desde a primeira experiência com a competência leitora-escritora, nossa metodologia de ensino, a realidade do nosso alunado, trocar experiências."
Katia Seligman


"Este curso levou- me a enxergar o trabalho com a leitura e a escrita com outro olhar. Ao ser solicitada a criação de um blog me senti completamente perdida. Isso parece bobagem pois neste mundo  de tecnologia em que estamos vivendo atualmente parece natural todo mundo saber lidar com essas coisas.Mas isso não é verdade.Da mesma maneira, parece natural uma pessoa que já lê , entenda o que está lendo.Isso também não é verdade.[...] Mas para mim, tudo era novo e muito difícil. Coloquei-me no lugar do meu aluno em sala de aula."
Maria Conceição de Assunção Doria


"Houve muitas participações e muitos relatos importantes para o meu trabalho. Acredito que usarei as informações recebidas aqui o resto da vida. Fiquei feliz em saber que tem muitos professores preocupados com capacitações, aprimorar seus conhecimentos e práticas."
Maria de Fatima Costa Penatti


"O curso me proporcionou um aprendizado muito especial, pois mudou a minha postura com relação à leitura e a escrita, não que eu não desse importância, mas me fez relembrar do encanto que a leitura tem que exercer sobre nós, por que se não demonstramos gostar de leitura como contagiaremos nossos alunos a gostarem?"
Michelle Cristiane Melo Reis


 "De modo geral, posso dizer que este curso trouxe várias contribuições para minha formação, não só como professora, mas como ser humano. Reviver lembranças sobre o processo de leitura, enriquecer as aulas com dicas dos colegas sobre práticas didáticas e aprender como criar um blog, foram experiências marcantes no percorrer desses dois meses. Acredito que a participação e a mediação competente da tutora ajudaram a todos a persistir e vencer as dificuldades [...]."
Roseli Rodrigues Ritter


"A experiência de participar de um curso totalmente on line foi muito interessante. Confesso que tive dificuldade no que diz respeito ao blog, mas ainda bem que as minhas colegas do grupo 4, já tinham experiência no assunto. Obrigada garotas!. Também foi a primeira vez que participei de fórum, portanto tudo foi novo para mim."
Sonia Maria Squissato Barboza

sábado, 10 de novembro de 2012

LITERAMUNDO recomenda...

Como todos sabem, este blog surgiu como proposta do Curso Leitura e Escrita em Contexto Digital.

Assim como nós, outros cursistas criaram seus blogs que, como um todo, complementam o conteúdo abordado.

Então, recomendamos a vocês leitores, que sigam nossos colegas parceiros:


sábado, 3 de novembro de 2012

Nesta  etapa do Curso Leitura e Escrita em Contexto Digital, recebemos como tarefa a produção de um texto sobre os diferentes Gêneros do Discurso.

Para entendermos um pouco mais, seguem algumas explicações resumidas sobre o assunto:

Gêneros do discurso


Tudo o que falamos, ouvimos, lemos, escrevemos... Enfim, todo texto falado ou escrito pertence a um determinado gênero do discurso.

Todo gênero do discurso está sempre relacionado a uma esfera de atividade humana que, por sua vez, insere-se em um contexto sócio-histórico e econômico. Do ponto de vista de sua constituição, pode-se afirmar que todo gênero é constituído por três elementos: conteúdo temático, forma composicional e estilo.

Em nossa vida cotidiana, realizamos diversos tipos de atividades e desempenhamos vários papéis que estão intimamente relacionados com as diferentes esferas de atividades humanas: familiar, acadêmico-científica, escolar, política, jornalística, jurídica, literária etc. Em cada uma dessas esferas há diversos atores representando diferentes interesses em jogo e, também, diferentes gêneros do discurso em circulação, por meio dos quais essas atividades se desenvolvem e as relações se constituem.

As diferenças entre os gêneros existem, sobretudo, em função das condições em que os textos são produzidos. Essa variação vai ocorrer, principalmente, em função:
·        Da configuração das esferas em que os gêneros circulam;
·        Da finalidade de cada gênero;
·        Da imagem que cada autor tem de seu interlocutor;
·        Do veículo em que estes textos serão publicados.

Abaixo apresentamos as características de cada gênero:

·        Conversa telefônica:
Relato de fatos centrado na sensação subjetiva de quem acompanhou os fatos.

·        Interrogatório:
Relato de fatos na ordem em que ocorreram com descrição objetiva e minuciosa dos detalhes que cercam o ocorrido.

·        Notícia jornal popular:
Relato de fatos em ordem decrescente do que se supõe ser a informação mais importante para o leitor.

·        Notícia jornal classes A e B:
Relato de fatos em ordem decrescente do que se supõe ser a informação mais importante para o leitor.

·        Crônica:
Relato de fatos em ordem decrescente do que se supõe ser a informação mais importante para o leitor.


Fonte de pesquisa: material publicado no Programa: Práticas de Leitura e Escrita na Contemporaneidade.

Agora  convidamos você, leitor, 
a apreciar as produções individuais do grupo sobre o Gênero do Discurso: Interrogatório.

Ficaríamos honrados com sua participação nos comentários!

Interrogatório por Marcia Rosenberger



Assassinato em Hollywood: a vida imita a arte...

Foi registrada nos autos de emergência da polícia uma chamada telefônica avisando ter encontrado o corpo de uma jovem no corredor em frente ao apartamento da própria vítima. A chamada foi realizada por sua vizinha de apartamento.
Como é de praxe na profissão de Detetive Investigador, além de consultar os integrantes da perícia, é ele quem interroga as testemunhas. Na ocasião, o Delegado de Polícia de plantão, que não tinha mais nenhuma ocorrência urgente, presidiu o interrogatório, horas depois do crime.

- Seu nome, por favor.
- Marylou, mas pode me chamar de Lou.
- Nome completo, por favor.
- Ah, claro... Marylou Moriarty.
- Qual sua idade?
- 21.
- Seu estado civil?
- Solteira.
- Qual a profissão da senhorita?
- Eu trabalho numa videolocadora, mas não é qualquer videolocadora, sabe? O Quentin Tarantino também já trabalhou aqui e muita gente famosa...
- Sim, eu compreendo. Endereço?
- Lancaster Street, no. 1308, apto 823. Los Angeles.
- No dia 31 de outubro foi registrada uma chamada telefônica solicitando uma patrulha policial ao seu endereço, tendo dito que havia sido encontrado o corpo de uma jovem. Esta informação procede?
- Sim, Doutor Delegado, fui eu mesma quem chamou a polícia.
- Há quanto tempo a senhorita mora neste prédio?
- Acho que quase dois anos, agora.
- Com quem a senhorita mora?
- Com ninguém. Eu moro sozinha, Doutor. Meus pais ainda moram em nossa casa de campo, em Denver, mas eu preferi me mudar pra cidade pra estudar, eu quero ser atriz...
- Tem noivo, namorado ou algum tipo de relacionamento?
- Não, Sr. Detetive. No momento não estou namorando, mas sabe... se aparecesse um cara legal...
- Está bem, é o suficiente... Quanto a outras pessoas, a senhorita costuma receber muitas visitas em seu apartamento?
- Ah, claro, Doutor! Sempre vêm alguns amigos em casa. A gente estoura uma pipoca e assiste um filme ou toma um vinho e bate papo, essas coisas...
- Quanto aos seus vizinhos, a senhorita os conhece bem? Como é o seu relacionamento com eles?
- Mora muita gente aqui... A maioria jovem como eu, que vêm pra cá pra tentar trabalhar no cinema. Meio que todo mundo se conhece, mas a gente se fala sempre rápido, ou no elevador, alguns vão à locadora onde eu trabalho, outros a gente encontra na cafeteria ou pelo bairro... Eu tenho mais amizade com o pessoal do andar de cima, o nono, e uma garota do meu andar, vizinha dessa que morreu...
- Sobre a vítima, a senhorita a conhecia? Era sua vizinha?
- O apartamento dela era ao lado do meu, mas ela era uma moça muito reservada, falava pouco, mas estava sempre alegre e era muito simpática...
- Há quanto tempo ela morava no prédio?
- Não tenho certeza, Sr. Detetive, mas acho que ela se mudou pra cá há quase um ano mais ou menos.
- Vocês eram amigas, frequentavam seus apartamentos, saíam juntas?
- Não, eu não era amiga dela, mas ela tinha me falado que trabalhava numa cafeteria perto da locadora em que eu trabalho, e às vezes a gente se falava... Outro dia, ela tava me contando de um cliente que ia todas as quintas-feiras tomar café no mesmo horário, e...
- Certo, isso não é tão importante. Vamos voltar à cena do crime... Você sabe se a vítima tinha algum inimigo, algum ex-namorado ciumento, vingativo ou algo assim?
- Acho que inimigo ela não tinha, não, porque era uma garota tão boazinha... Mas logo que ela se mudou pra cá, eu cheguei a ver um rapaz que veio várias vezes aqui... Umas duas vezes ele bateu na porta dela e ela fingiu que não tava em casa e não atendeu... Mas quando eu falei pra ela que um rapaz veio aqui, ela desconversou e nem quis saber como ele era...
- Na hora do crime, a senhorita estava sozinha ou havia mais alguém no apartamento?
- Não... Eu estava sozinha. Afinal de contas é dia de Halloween! Já é uma tradição para mim...
- Sim, nós entendemos... O que a senhorita estava fazendo nesse momento?
- Eu já estava meio que perdendo a paciência com aquelas crianças... Já fazia uma meia hora que elas não paravam de bater de porta em porta gritando ‘Travessuras ou gostosuras’! E eu tentando assistir ao filme...
- A senhorita pode ser um pouco mais direta, por favor? Até agora a senhorita não nos deu nenhuma informação sobre a vítima!
- Claro, me desculpe. Então, continuando... Eu tava assistindo um filme, porque todo ano nessa data eu assisto ao mesmo filme... Nosferatu. O Doutor Delegado, conhece? E o Sr, Seu Detetive? Já assistiu? Se ainda não viram, têm que ver! É muito assustador... Conta a história de um vampiro, sabe... E é por isso...
- Senhorita Marylou, por favor, atenha-se aos fatos! E quem faz as perguntas aqui somos nós, não a senhorita!
- Me desculpe novamente... É que é tão empolgante! O que está acontecendo parece um filme de verdade mesmo!
- Certo. Retomando seu depoimento. Então, a senhorita estava assistindo um filme e havia crianças gritando no corredor. O que aconteceu depois?
- Eu ouvi um grito e me pareceu tão real... tão próximo... Mas nesse exato momento, era a parte do filme em que Nosferatu mordia o pescoço da vítima, então eu ignorei... Mas logo em seguida ouvi de novo, e foi quando fui até a porta... Olhei pelo olho mágico e não vi nada pela fração de um segundo e então, eu vi a sombra... O Doutor Delegado pode não acreditar, mas eu juro que eu vi... E era muito grande... Realmente eram asas que se moviam e levantaram voo...
- Quando foi que a senhorita viu o corpo?
- Na mesma hora, sem pensar direito eu abri a porta. E então, encontrei a garota lá...
- Como ela estava? A senhorita tocou ou moveu o corpo da vítima?
- Não! Não tive coragem de mexer na garota... Mas ela estava lá... Meio torta, com a cabeça virada para o lado... As pernas também estavam tortas, dobradas... Tinha um pouco de sangue esparramado pelo chão, próximo de seu pescoço. Foi então que eu vi... Quando eu me abaixei mais perto do rosto dela, eu vi as duas marcas... Eram pequenas, e ainda tinham um pouco de sangue também, pareciam dois pequenos furinhos...
- Quanto tempo a senhorita demorou a chamar a polícia?
- Foi logo em seguida, porque o som da televisão estava muito alto e começou a tocar uma daquelas músicas de terror, o senhor sabe, né?... Então eu me assustei e corri pra dentro do apartamento e liguei na mesma hora pra polícia.
- Isso foi a que horas precisamente? A senhorita saberia nos informar?
- Ah, eram 23h59min e eu tenho certeza porque foi quando eu olhei pra televisão e estava marcado no canto da tela.
- A senhorita teria mais alguma informação a nos relatar?
- Não, acho que não me lembro de mais nada...
- Por enquanto é só. Obrigada pela sua colaboração. Entraremos em contato se houver qualquer dúvida no seu depoimento.
- Ah, não há de que! Estou às suas ordens! Sabe, Doutor Delegado, na verdade...
- Passar bem senhorita. Tenha um bom dia!

E assim ambos, Delegado e Investigador, deixaram a sala de interrogatório, e foram em busca de mais um possível suspeito.

© Marcia Rosenberger, 2012. Todos os direitos reservados.
Nomes de personagens e filmes utilizados pertencem aos respectivos criadores.

Créditos da imagens:
Wikipedia

Interrogatório por Josiana Rovatti Pupin

A central da polícia recebeu um chamado de uma jovem devido a morte de um homem na porta de seu apartamento.

- Vamos iniciar o interrogatório.
- Tudo bem.
- Conte como foi seu dia ontem.
- Ontem fui trabalhar. Fiquei o dia todo fora.
- Que horas saiu de casa?
- Por volta das 06h30min.
- Quando retornou?
- Fiquei o dia todo fora, voltei para casa no final da tarde, estava praticamente anoitecendo.
- Algo estranho no prédio?
- Não percebi.
- Durante a noite, como foi?
- Jantei, tomei um banho, li um livro e dormi.
- Certo. E durante a madrugada, ouviu algum barulho?
- Não, nenhum. Tudo tranquilo no prédio.
- Encontrou alguma pessoa diferente pelos corredores?
- Não. Ninguém.
- Tudo bem. Como foi hoje então?
- O despertador tocou, desliguei e dormi novamente, depois de 20 minutos tocou de novo, levantei, fui ao banheiro, escovei os dentes e lavei o rosto. Foi quando a campainha tocou.
- Você estava esperando alguém?
- Não.
- Ninguém costuma vir ao seu apartamento pela manhã?
- As vezes Dona Maria me traz um pedaço de bolo aos sábados. Mas não durante a semana. E não nesse horário.
- Certo. Então prossiga com o depoimento.
- Depois que a campainha tocou saí do banheiro às pressas e assustada, caminhei até a porta, destranquei a fechadura e abri a porta.
- Assustada por quê?
- Porque ninguém costuma tocar a campainha as 5h30min da manhã.
- Compreendo. Continue.
- Assim que abri a porta deparei-me com o homem caído no chão.
- E o que fez?
- Olhei em volta, no corredor todo. Mas não havia ninguém.
- Ninguém?
- Não, nenhuma pessoa.
- E barulho?
- Nada. Silêncio total. O corredor ainda estava meio escuro.
- Tudo bem. Depois disso o que fez?
- Abaixei-me, tentei acordar o homem, chamei várias vezes.
- E?
- Nada. Não acordou. Foi quando toquei o homem com os dedos.
- Ele teve alguma reação?
- Não. Percebi que o corpo estava frio e rígido.
- Então já estava morto?
- Sim.
- O que você fez depois que constatou que era um cadáver?
- Corri para dentro do apartamento e peguei o telefone.
- E para onde ligou?
- Liguei para a central da polícia.
- Certo. Terminamos.

Dessa forma, o delegado termina o depoimento e continua com as demais investigações.

Interrogatório por Simone Carbono




...o delegado atende...
_ Tem um cadáver na porta da minha casa, por favor, façam alguma coisa. 
_ Calma minha senhora, diga o seu endereço. 
_ Avenida das Flores, 212 - Jardim Curitiba. 
_ Estamos indo para aí
Chega a polícia, ambulância, sirenes. Barulho, muito barulho, minha cabeça doi, roda. Quando um homem se aproxima e me pergunta:
_ Foi você quem achou a vítima?
_ Sim (com a voz tremula )
_ Qual o seu nome?
_ Carla- Carla Silva
_ Você conhecia a vítima?
_ Não, claro que não.
_ Tem algum inimigo, está sendo ameaçada por alguém?
_ Não
Enquanto isso as luzes me ofuscavam os olhos, aquele homem me deixando tonta com tantas perguntas.
_ Que horas chegou em casa?
_ Por volta das 21h00
_ Não percebeu nada de estranho, ouviu alguma coisa diferente?
_ Não, foi tudo calmo, só ouvi o barulho da campainha, achei estranho, mas vim atender e quando cheguei o homem estava na minha porta morto, nisso já liguei para a polícia, e o resto o senhor já sabe...
- Vamos ver se a perícia técnica acha algo que possa nos ajudar a resolver esse problema. Enquanto isso se acalme, tome um café, e logo pela manhã passe na delegacia para prestar maiores esclarecimentos. 
_ Mas por que, eu só achei o cadáver?
_ Você é a única peça que tenho para entender esse caso. Porque colocaram o cadáver aqui? Mas acredito que não vai se importar em responder algumas perguntas, pois está dizendo que não sabe de nada referente a isso. Vai?
_ Não, claro que não.
_ Ah, antes que esqueça não saia da cidade até que tenha permissão para isso. Obrigada, aguardo você amanhã bem cedo.