sábado, 3 de novembro de 2012

Interrogatório por Josiana Rovatti Pupin

A central da polícia recebeu um chamado de uma jovem devido a morte de um homem na porta de seu apartamento.

- Vamos iniciar o interrogatório.
- Tudo bem.
- Conte como foi seu dia ontem.
- Ontem fui trabalhar. Fiquei o dia todo fora.
- Que horas saiu de casa?
- Por volta das 06h30min.
- Quando retornou?
- Fiquei o dia todo fora, voltei para casa no final da tarde, estava praticamente anoitecendo.
- Algo estranho no prédio?
- Não percebi.
- Durante a noite, como foi?
- Jantei, tomei um banho, li um livro e dormi.
- Certo. E durante a madrugada, ouviu algum barulho?
- Não, nenhum. Tudo tranquilo no prédio.
- Encontrou alguma pessoa diferente pelos corredores?
- Não. Ninguém.
- Tudo bem. Como foi hoje então?
- O despertador tocou, desliguei e dormi novamente, depois de 20 minutos tocou de novo, levantei, fui ao banheiro, escovei os dentes e lavei o rosto. Foi quando a campainha tocou.
- Você estava esperando alguém?
- Não.
- Ninguém costuma vir ao seu apartamento pela manhã?
- As vezes Dona Maria me traz um pedaço de bolo aos sábados. Mas não durante a semana. E não nesse horário.
- Certo. Então prossiga com o depoimento.
- Depois que a campainha tocou saí do banheiro às pressas e assustada, caminhei até a porta, destranquei a fechadura e abri a porta.
- Assustada por quê?
- Porque ninguém costuma tocar a campainha as 5h30min da manhã.
- Compreendo. Continue.
- Assim que abri a porta deparei-me com o homem caído no chão.
- E o que fez?
- Olhei em volta, no corredor todo. Mas não havia ninguém.
- Ninguém?
- Não, nenhuma pessoa.
- E barulho?
- Nada. Silêncio total. O corredor ainda estava meio escuro.
- Tudo bem. Depois disso o que fez?
- Abaixei-me, tentei acordar o homem, chamei várias vezes.
- E?
- Nada. Não acordou. Foi quando toquei o homem com os dedos.
- Ele teve alguma reação?
- Não. Percebi que o corpo estava frio e rígido.
- Então já estava morto?
- Sim.
- O que você fez depois que constatou que era um cadáver?
- Corri para dentro do apartamento e peguei o telefone.
- E para onde ligou?
- Liguei para a central da polícia.
- Certo. Terminamos.

Dessa forma, o delegado termina o depoimento e continua com as demais investigações.

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