"...leio qualquer coisa que chegue às minhas mãos, de bula de remédio a
dicionário, é uma mania.", declara a jornalista e escritora Danuza Leão. O mesmo acontece comigo...
simplesmente assim... não importa o que ou sobre o que, mas parece-me que as
letras são símbolos mágicos que fazem meu olhos devanear e num ímpeto estou
movendo-os e decifrando vorazmente qualquer coisa que se aproxime de minha
visão.
Na minha infância ouvia os
comentários da família sobre este desejo obsessivo de ler, achavam estranho eu
preferir ganhar um livro de presente a algo supérfluo, às vezes até mesmo um
brinquedo, se não o fosse de minha escolha. Eram livros ilustrados, de
literatura infantil, muitos contos de fada, adorava-os! Ainda me lembro
vagamente de um que na capa havia uma princesa e um monstro, ou algo assim.
Infelizmente não recordo o título, pois gostaria de lê-lo novamente e resgatar
algumas memórias...
Na adolescência se agravou... Passava
horas escondida no quarto lendo alguma novela, um romance ou suspense. E quando
chegava a hora de dormir, não podia... Era levada a uma terrível insônia,
imaginando qual seria o destino dos personagens ou o desfecho daquela trama em
particular, o que me impulsionava a novamente sair da cama e continuar mais um
pouco com aquela aventura... Eventualmente voltam às minhas recordações um ou
outro título que me impressionou: Os
Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo, foi um deles... Pela primeira vez
ouvi falar de um polvo gigante! Mais significativo ainda, foi O Morro dos Ventos Uivantes; fiquei
completamente alucinada pelo lado sombrio e psicológico do livro. Mais tarde
assisti ao filme, aquele em preto e branco com o Lawrence Olivier, e penso que
toda aquela atmosfera bucólica estava lá, tão bem representada pela fotografia
usada nas tomadas das paisagens...
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